Sinto-me um bocado como um boneco que tenho que agradar... agradar... agradar... Mas mais que uma barbie eu vejo uma boneca de porcelana, que racha... racha a cada dia que passa. Não me perguntem como nem porquê, não vos sei responder. Só sei que a agonia é tão forte e tão grande, que só me apetece dissolver na atmosfera. Virar pó. E peço desculpa. Desculpa a todos os que vou magoando neste caminho. Peço desculpa a mim mesma por me estar a magoar tanto. Peço desculpa por já não me reconhecer cada vez que me olho ao espelho. Queria deixar de ser eu. Ou melhor, queria deixar de ser esta que não conheço. Queria deixar de chorar por não compreender o que se passa comigo. Queria deixar de desconfiar de tudo e de todos, deixar de pensar que me vão magoar. Mas ao menos a dor assim seria real. Saberia de que choro. E se eu fugisse?! Daqui, dali, de todo o lado. E se eu partisse? Daqui, dali, de todo o lado?! Assim, deixaria de ser tão má.

2 Comments:
At Quinta-feira, Fevereiro 10, 2005,
Sombra said…
Foi essa necessidade constante de agradar que sempre senti. Descobri há pouco tempo (há demasiado pouco!) que quanto mais tentava agradar aos outros, menos conseguia. Talvez porque desagradasse a mim primeiro. Havia qualquer coisa nessa atitude submissa que me provocava urticária. Faltava autenticidade. Transformava-me noutra que não eu. Acabou por dar comigo em doida. Transformou-me na «Outra» de quem falo na última crónica que escrevi. Felizmente esse foi o derradeiro momento de sabujice. Detestei-o tanto que me serviu de emenda. Passaram 8 meses. Agora já não guardo desaforo. Se não gosto digo. Digo logo no momento. Já não guardo mágoas para cultivar e fazer medrar durante anos no isolamento e depois atirar aos outros com o dobro da intensidade. Percebi que me fazia mal. Muito. Fazia também mal aos outros pois percebiam que afinal a minha submissão era forjada. Agora reclamo logo. Assim sai na dose certa e sem ressentimentos. Magoa menos a mim e a quem ouve. Lembras-te do que ambas escrevemos sobre os prazos de validade que passam? É isso mesmo que acontece com os sentimentos maus que guardamos durante tanto tempo em nós. Azedam ainda mais e a intoxicação que nos provocam é tanto maior quanto o tempo que passa sobre o prazo expirado!
Acredita que a única coisa que não passa de prazo é a autenticidade. Se tiveres de desagradar pontualmente, fá-lo sem receio. Ao menos assim a porcelana não quebra...
At Sexta-feira, Fevereiro 11, 2005,
gata said…
eu não o senti. sempre fui de dizer o que acho, de mostrar má cara se a cara que me apetece fazer é má. quando me senti perdida no meio da depressão, o que fiz e piorou o meu estado foi querer carregar os outros ao colo, quando eu é que precisava de ser carregada.
estrebucha, su. força. mais vale isso, do que corroeres te a ti própria.
e aparece no forum do BC. não te tenho visto por lá,...
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